

Com quem eu falo para morar em uma vila de casas na cidade?
Confira uma lista daquelas que ainda resistem bravamente em Beagá
Você também às vezes se cansa de sair a pé pela cidade e dar de cara com estes prédios espelhados, enormes e cafonas? Pois é. Amo Belo Horizonte, mas tá difícil conseguir ilustrar toda a sua beleza, amiga. Mas eu sei, a culpa não é sua. Essa verticalização sem precedentes parece nunca sair de moda. O que nos resta é adorar o que restou — enquanto é tempo. Uma declaração de amor talvez ajude a mudar um pouco o olhar de quem não concorda comigo.
Então vou te contar um segredo: mantenho uma relação de paixão platônica por uma casa na rua Ceará, em frente a um supermercado. Sim, uma casa! Foi amor à primeira vista. Passo pelos muros cobertos por aquela trepadeira sempre verde e — eu juro! — converso com ela. Prometo, quando algum dinheiro bom chegar, comprá-la, amá-la e protegê-la dessa gentalha.


Ok, antes que você me aconselhe a desenvolver relacionamentos mais saudáveis com seres humanos (que não estão muito convidativos ultimamente), já adianto que isso é um desabafo e também um chamado para registrar, valorizar e promover novas ideias para que elas — as vilas — não morram ou cedam à pressão do mercado imobiliário.
E se tem coisa mais interessante do que uma casinha no meio de prédios, são várias delas juntas. Então, anota aí algumas vilas maravilindas para você conhecer, dar uma passadinha ou até mesmo marcar um almoço saudável. E quem sabe convencer investidores a transformar estes lugares em centros culturais, criativos, sei lá. Pira o cabeção aí!
- Vila Wernerck (centro)
Você está em pleno centro e vai achar que este lugar é de mentira. Um portão na Rua Guajajaras número 619 guarda 12 casinhas que desaceleram qualquer mente apressada. Árvores e banquinhos na área comum das ruas de calçamento, um mágico morador e um restaurante macrobiótico como vizinhos. Tem tudo isso e mais algumas surpresas dentro dessa vila, a mais famosa de todas, eu acho. O alívio vem da segurança que o tombamento pelo patrimônio municipal proporciona, nada de demolição por aqui.






- Galeria Brasil (Funcionários)
Outro dia, procurando um lugar para tomar café na Av. Brasil, para os lados do Colégio Arnaldo, deparei-me com esta galeria fofa com algumas casinhas em seu interior, de frente umas para as outras. Ela não é residencial e abriga alguns pequenos negócios como um conserto de roupas, um escritório de contabilidade e uma lojinha familiar, por exemplo. Senti falta de um desses mercadinhos com produtos artesanais do interior. Fica a dica aí, empreendedores.


A situação é tensa porque essas são as duas únicas que eu conheço pessoalmente na região mais central da cidade, já que a terceira delas, localizada na Savassi, do lado d’A Obra, foi jogada no chão há pouco tempo. No entanto, pesquisando por aí, encontrei outras. Graças! E se você as conhece, atualize-me se ainda estão vivas e de pé, por gentileza.
- Vila Bracarense (Floresta)
Seis casas, pertencentes à família que dá nome à vila, contam a história deste lugarzinho pitoresco em meio à confusão do trânsito próximo à Rua Sapucaí e Av do Contorno. Uma do ladinho da outra, separadas por uma ruela. De acordo com uma reportagem, são 600 metros quadrados e um pedido de tombamento em processo.
- Vila Beltrão (Santa Efigênia)
Também conta a história de uma família, a Beltrão, que administra as 13 casinhas construídas por um casal na década de 1920. E elas resistem até hoje na rua Padre Marinho. Um processo de tombamento foi aberto em 2000, mas não consegui informações mais precisas de como a situação da vila está hoje em dia.


- Vila Ivone (Santa Tereza)
Outras 11 casinhas — herança das famílias portuguesas que fundaram o conjunto — resistem bravamente e são ocupadas, hoje, pelas gerações descendentes. Bom saber que esse cuidado familiar não foi perdido. Para os curiosos e amantes de vilas, essa fica à rua Hermílio Alves e foi tombada pelo patrimônio cultural em 2003.


Voltando um poucos aos casarões solitários, mas nem por isso menos importantes, existe um projeto lançado em abril deste ano chamado Casas de BH. O propósito é contar a história da cidade pela arquitetura das edificações antigas. Achei amor e quero dar um abraço em quem teve essa ideia, além de contribuir com fotos.






E se você mora numa casinhas dessas, me convida para um chá? Obrigado :)
Fontes: experiência pessoal e os jornais O Tempo, Estado de Minas, R7.